Pink Floyd - Live at Pompeii

Pink Floyd - Live at Pompeii

Live at Pompeii é um DVD um tanto confuso; é um DVD musical, mas não é gravação de show, nem é filme. Nem tem “Another Brick in the Wall”, então deduzo que só quem realmente gosta (e conhece) de Pink Floyd vai gostar. Mas esses vão gostar bastante.

Não é um DVD que contém as músicas de mais sucesso ou coisa assim. Também não é um álbum de inéditas (da época) ou coisa assim. É um DVD que tem gravações até então inéditas de músicas já lançadas, mas foi gravado em Pompéia, na Itália, em um anfiteatro vazio e com imagens de vulcões em erupção e coisas assim. O DVD inteiro é permeado de imagens com essa temática, ruínas, vulcões, obras de arte antigas…

Vou concentrar minha descrição na versão original, de 1972, que felizmente veio como extra. Sim, extra, pois o DVD é a “Versão do diretor”. Um extra que para mim vale mais que o filme principal, logo logo digo por quê.

Versão original, de 1972

O DVD (após uma imensa introdução) começa e termina com a música Echoes, que foi dividida em duas partes, o que para mim já seria suficiente, talvez minha música preferida deles. Mesmo não sabendo explicar o porquê, acho que as imagens da banda tocando no anfiteatro vazio da forma que foi feito casou perfeitamente o visual com o “clima” da música. Tudo perfeito, desde os enquadramentos, tomadas da câmera até os efeitos de edição.

Acabando a primeira parte de Echoes, começa a sombria “Careful with that Axe, Eugene”, com imagens passando no fundo e tudo mais. Cenas dos integrantes da banda em paisagens locais sendo alternadas com a própria banda tocando à noite com alguns holofotes.

Echoes é muito boa, mas minha grande surpresa foi com a faixa “A Saucerful of Secrets”, que é a próxima. Mais para o início ela nem seria considerada música por muitos, e sim uma brincadeira com os instrumentos. Socando pianos, fazendo guitarras emitirem “gritos” soando gongos e com uma bateria ritmada, constante, mas tão perturbadora quanto todo o resto. Depois disso, entra outra parte da música, que vem como um desabafo, meio necessário depois de cinco minutos de perturbação. Sim, viajei um pouco na maionese. Mas foi mais ou menos assim que eu me senti. E não, eu não chorei.

A próxima é “One of These Days”, a única música do DVD que eu não acho melhor que sua versão de estúdio. Tudo culpa de um órgão. A música original não tem a participação do órgão que tem no DVD, que quebrou totalmente o tom sério da música praticamente instrumental cuja letra se traduz “Um dia desses vou te cortar em pedacinhos”. Ficou meio “felizinho”, bem estranho.

“Set the Controls for the Heart of the Sun” segue mais ou menos o padrão de “Careful with that Axe, Eugene”. Boa, mas nada de muito diferente, é uma versão “ao vivo” com a edição no estilo do resto do filme.

“Mademoiselle Nobs” é a música até então conhecida por “Seamus”, nome com o qual foi lançado no disco Meddle. É um blues que conta com uma gaita e um cachorro uivando a música praticamente inteira, e o resultado ficou interessante. “Seamus” era o nome do cachorro da gravação original. Naturalmente, “Nobs” era o nome da cachorra na gravação de “Live at Pompeii”.

E o DVD finaliza com a parte 2 de Echoes, retornando à mesma estética co início do DVD. Encaixa perfeitamente, e talvez esse tenha sido o primeiro DVD musical que eu tenha visto que tenha me deixado com uma sensação de início, meio e fim, como um filme convencional. Não é como um DVD de show qualquer, que você não sabe quando vai acabar, e que acaba em qualquer música sem motivo. Você nota que está acabando, tanto por ser a mesma música quanto pela fotografia e pela edição. Parece que está tudo voltando para o momento em que a parte 1 de Echoes acabou, e então ocorre o clímax e tudo acaba. Como naqueles filmes que começam pelo final e depois contam como aconteceu.

A Versão do Diretor de 2003

A versão do diretor de 2003 basicamente é um “remix” do filme original. Tem algumas músicas a mais e principalmente a edição de cenas é diferente. Há imagens de lançamentos de foguete e astronautas durante Echoes por exemplo. Destoou bastante da estética das imagens de Pompéia, mas nada perto das imagens de astros celestes geradas por computador. Na minha opinião, muito desnecessário e forçado.

Como se não bastasse, durante a segunda parte de Echoes, mais ou menos paralelamente às imagens “atuais” das ruínas eram exibidas também animações feitas por computador de como seriam as paisagens antes da grande erupção do Vesúvio, inclusive uma com lava correndo. Essas foram as campeãs do mau gosto, não combinando em nada com o teor das músicas e principalmente a estética geral do filme.

Entendeu por que eu considero o extra mais valioso que o filme principal?

Mas a versão do diretor também tem coisas interessantes, como trechos de entrevistas e algumas músicas a mais. Não é tempo perdido. Se vier a comprar o DVD, assista primeiro a versão original de 1972 e outro dia assista a versão do diretor.

Peculiaridades do DVD

O DVD tem tradução das músicas e legendas. Mas nem uma nem outra funcionam. É possível ativar as legendas, mas elas só aparecem nos trechos de entrevista, não nas músicas. Mesmo acionando a opção “Tradução das músicas” nos extras, nenhuma legenda aparece.

Beastie Boys e o Live at Pompeii

Os Beastie Boys fizeram um videoclipe muito parecido com as filmagens desse filme para a música Gratitude, do álbum “Check Your Head”.  Até mesmo as caixas de som têm as inscrições “Pink Floyd - London”, a mesma inscrição visível durante a performance de Echoes.

Pink Floyd - A Saucerful of Secrets

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Echoes - The Best of Pink Floyd

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DVD Pink Floyd - The Dark Side Of The Moon

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